Ultimaton: Zul Zelub – Jorge Lima Barreto & Jonas Runa



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1. TRIATA – 1’44”
2. HAVONA – 13’26” 
3. KOPE DAGH – 3’03”
4. URANTIA – 14’21”
5. UVERSA – 13’33” 
6. NEBADON – 13’46
7. FINALITOR – 3’19”

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Jorge Lima Barreto e João Marques Carrilho idealizaram Zul Zelub como a concretização e simultaneamente estudo sobre o acto de improvisação e o que o precede. Com toda a subjectividade inerente, procura-se partir para a música com a consciência de que algo de determinante acontece na mente antes de o músico começar a tocar, isto é, a improvisação é sempre informada pela experiência e antecedentes. Piano e computador em actividade, sendo que o primeiro é processado e, mais do que isso,”interferido” pelo segundo. Novas realidades acrescentadas ao som puro do instrumento, tocado por Lima Barreto em improvisação, até o próprio piano desaparecer momentaneamente do espectro. Linguagem necessariamente abstracta, investigadora e insinuante, não se pode falar de paisagens e sim de acontecimentos, uma vez que o que decorre não é estático. Recursos lembrados da história da música concreta, em amálgama com situações virtuais imaginadas dentro de sequências mais opressivas filmadas por David Lynch (“Eraserhead”, óbvio, mas não só), mas divergimos, aqui já se trata do nosso próprio ponto de vista. Celebração dos 10 anos sobre a edição original com nova sobrecapa a simbolizar vida fresca para este projecto tão genuinamente acarinhado pela editora.
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“Zul Zelub” is an electroacoustic music project, for Piano and Computer/Live-Electronics, founded in 2007 by Jorge Lima Barreto and Jonas Runa; A radical conceptual attitude, the theory of “Unrealized Musical Energy” is a purely mental investment of memory and will – inaudible entity – secret musical aspect, the unexpressed, a desire for the unsubstantial, parapsychic force which doesn’t generate matter, anticipatory abandoned concept, virtual formulation, as in a dream or a cyberjourney. Project for piano and computer music: the piano is captured by the microphones and processed by the computer (Kyma X). The digital musician and composer João Marques Carrilho, name: Jonas Runa; files, interferes, superimposes timbres, phraseological lapses, interloquy in real-time. The piano playing has an experimentalist character, flow of improvisations, and merges itself in an open discourse of permanent action, unfolding in notions and dynamics of time (retarded, asynchronous, synchronous, accelerated) to reach the invention of new sound spaces.”

@ Flur
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Jorge Lima Barreto – piano (teclas: 2, 3, 4, 6, 7; cordas: 2, 5, 6; percussão: 1, 5, 6), conceito, co-produção, texto. Jonas Runa – Kyma X, computador, processamento, gravação, mistura, produção, re-masterização, conceito, texto, design de computador.
Gravado no Baucau Studium. Design by Outono-Inverno. Jorge Lima Barreto por olhos(«Ä»)zumbir / Jonas Runa por Ana Cordeiro Reis.

(p) Plancton Music 2012 | (c) Plancton Music / Jorge Lima Barreto & João Carrilho

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2022 re-release oversleeve
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Zul Zelub: Energia Musica Irrealizada:

“Zul Zelub” foi um projecto de música electroacústica para piano e computador, electronic live, fundado no ano de 2007 por Jorge Lima Barreto e Jonas Runa. Atitude conceptual radicalista, a teoria da “energia musical irrealizada” aborda um investimento puramente mental da memória e da vontade – entidade inaudível – aspecto musical secreto, não expresso, desejo do insubstancial, força parapsíquica que não gera matéria, conceito antecipatório abandonado, formulação virtual como num sonho, ou ciberviagem.

Projecto para piano e música informática: o piano era captado pelo micro e recolhido no computador (Kyma X). O músico informático Jonas Runa arquiva, interfere, sobrepõe timbres, lapsos fraseológicos, interlóquio em tempo real. O jogo do piano tem um carácter experimentalista, fluxo de improvisações e funde-se num discurso aberto em permanente acção, desdobrando-se em noções e dinâmicas de tempo (retardado, assíncrono, síncrono, acelerado) e no sentido de inventar novos espaços sonoros. O duo propôs-se interagir com outros músicos ou performers ou acções interartísticas eventuais, e para os espectáculos apresentou videos originais, e diaporamas. A sua cenografia foi um novo conceito de instalação, prevendo actuações em instalações plásticas e multimédia de outros artistas. 

A energia musical irrealizada: O que está por trás duma realização musical, o que antecede a sua concretização, o que potencia a consubstanciação do acto criativo do improvisador?

Ideias musicográficas jamais escritas, imaginário poético sem efectivação literária e artística, todos os gastos de energia criativa musical do irrealizado (composição e execução improvisatória; no acto de compor/executar está a invenção, o imprevisto, a inspiração, a emocionalidade). A improvisação musicalé uma força viva que induz um potencial de acção e mantém um estado momentâneo do corpo; na improvisação importa mais o seu lado conceptual.

A improvisação vive no desconhecido, à mercê da energia criadora e da forma aberta; na sua postura estética, a improvisação é possibilidade e performance (actuação corporal) é um estado efémero e alusivo do irrealizado. A improvisação é trabalho, rito produtivo de passagem, representação criativa do irrealizado; é energia que vive no corpo, que é o lugar dos sonhos musicais irrealizados.

Zul= luz; Zelub= boulez

O corpo fragmentado do violoncelista Zil Zelub de Guido Buzzelli, que vive num mundo pós-holocausto numa natureza de máquinas e na psicose universal.

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Jorge Lima Barreto (Vinhais, 26 Dez. 1949 – Lisboa, 9 de Julho de 2011)

Compositor/intérprete (piano, multinstrumentismo acústico e electrónico), musicólogo e poliartista; Jorge Lima Barreto começou a praticar órgão de igreja e piano na infância como autodidacta.

Já em finais dos anos 1960, iniciaria uma carreira na música que incluiria participações a solo, em duo e em grupo, como elemento fundador e compositor de Anar Band, 1967-1982 (LP homónimo de 1977). Em Nova Iorque, conheceu e compôs com Jean Saheb Sarbib (LP Saheb Sarbib & Jorge Lima Barreto – Encounters, de 1979). No ínicio dos anos 1980, fundou com Vítor Rua o duo Telectu(1982-2008) e, com Jonas Runa, o duo para piano e computer music Zul Zelub (2007-2011) .

Estruturalista e apologista da improvisação total, envolveu-se como figura tutelar no círculo artístico e musical, lançando ideias que exploraria em estudos posteriores, tanto enquanto músico como enquanto musicólogo. Licenciando-se em História e Filosofia em 1973, os seus estudos leva-lo-iam ao doutoramento com a tese summa cum laude, classificação máxima, Estética da Comunicação Musical – a Improvisação, em Outubro de 2010. Enquanto musicógrafo, escreveria livros como Revolução do Jazz (1972), Jazz-off(1973), Grande Música Negra(1975), Rock & Droga(1982,), Breviário de Música Electrónica (1983), Música Minimal Repetitiva(1991), Nova Música Viva (1995), Música & Mass Media (1997), Musa Lusa(1997), Zapp, Estética Pop Rock(1999), Musonautas(2001), Jazzorama 5 (2006), entre outros. 

Após o 25 de Abril de 1974, iniciou um estudo dos mass media e da comunicologia, especializando-se na matéria relacionada com a música de todos os quadrantes, numa antropologia cultural sincrónica, escreveu vasta matéria sobre o assunto (sobre o qual as suas teses de doutoramento de 1997 e 2008 versam igualmente). Entre os anos de 1977-82, percorreu a América do Sul e os E.U.A., recolhendo material para a tese de doutoramento sobre o situacionismo musical nesses países. 

No seu regresso ao país em 1982, mudou-se para Lisboa, ano em que participou na programação de diversos festivais de música, desenvolveu actividade no âmbito do jornalismo musical, realizou seminários a nível nacional e internacional, compôs música para teatro e cinema, realizou programas radiofónicos e eventos de música experimental, tocou e gravou com outros compositores/intérpretes da música experimental, realizando inúmeros concertos por todo o mundo, sendo a sua prática musical indissociável da extensa discografia registada em fonogramas em duo, em grupo e a solo.

Teve como primeiras referências o experimentalismo e o conceptualism, o free jazz, bem como outros artistas ligados ao pósmodernismo, “projecto de um manifesto neo futurista”. A sua prática musical e o processo composicional desenvolvido até finais dos anos 1980, foi associada à “música minimal repetitiva”. 

Trabalhou na produção de materiais sonoros, como obra aberta e estratégia de recusa de qualquer compromisso com as políticas culturais vigentes, indústria discográfica e dos espectáculos, etc., preferindo-lhes um percurso assaz independente pelos campos da interarte, poesia visual, performarte, video, cinema, teatro e dança.

A sua música, as suas apresentações mediáticas e os seus textos, por vezes muito polémicos, o seu forte carisma, fizeram dele uma personalidade reconhecida além do seu domínio da prática musical; o carácter pessoal e a diversidade das criações sónicas que divulgou, marcaram várias formas de música de vanguada. A sua prática musical foi orientada por um programa de experimentação de diferentes soluções interpretativas e composicionais, a par de uma rara actualização tecnológica.

Depois de 1986, optou pela busca de novas tipologias musicais denominadas “jazz-off”, “música mimética”, “rock-pop-off”, “nova música improvisada”, e.a. teorizadas nos seus livros ou em mais de mil artigos, bem como em propostas pedagógicas, manifestos que acompanharam concertos ou edições discográficas e/ou videográficas; toys, gadgets, objectos sonoros. 

Os anos 1990 apontaram para o desenvolvimento da improvisação estruturada, no fraseado idioletal, polirritmos, agregados, clusters, sons concretos da natureza, domésticos, industriais ou urbanos, sinusoidais, ruídos, sintagmas vocais, mimese que recria imagens e códigos fora dos padrões instituidos, estilo “groove” como imitação digital do instrumento acústico, hibridações estilísticas e tipológicas , e.a. técnicas e recursos tecnológicos; colaborando com músicos como Evan Parker, T. Hodgkinson, J. Butcher, L. Sclavis, D. Kientzy, J. Berrocal, H. Robertson, G. Schiaffini, Paul Rutherford, C. Cutler, Sunny Murray, Nuno Reblo, B. Altschul, P. Lytton, E. Prévost, S. Noble, G. Hemingway, Han Bennink, Elliott Sharp, Ikue Mori, Sei Miguel, Walter Prati, Reina Portuondo, e.a.; que resultaram na edição de diversos fonogramas.

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JONAS RUNA (João Manuel Marques Carrilho, n. Lisboa, 14 Nov. 1981)

Compositor/intérprete (computador, kyma x, piano, violino, khomus, multinstrumentismo electrónico), musicólogo, estudou Física e Matemática no Instituto Superior Técnico, antes de ingressar no Conservatório Real de Haia (Holanda), Instituto de Sonologia, onde interagiu frequentemente com os compositores G.M. Koenig, Konrad Boehmer e Clarence Barlow. Actualmente está a terminar um dos primeiros doutoramentos em música informática em Portugal, com a tese Estéticas da Música Informática.

Criou, com Jorge Lima Barreto, o duo Zul Zelub, em 2007, proposta conceptual experimentalista para piano e computer music, baseada numa teoria da filosofia da Música inventada por ambos: a energia musical irrealizada.

Colaborou assim no primeiro disco de Zul Zelub, de título homónimo. Realizou concertos em algumas das mais importantes salas nacionais com músicos do universo da música improvisada, free music, como Jac Berrocal ou Eddie Prévost. Os concertos incluíram muitas vezes componentes multimedia, quer em videoarte, quer em diaporama ou performance.

O seu autodidactismo levou-o a estudar profundamente um leque muito amplo de matérias como filosofia, antropologia, história, teoria da religião, parapsicologia, arte da memória, e.a., sempre numa perspectiva interdisciplinar, como na teoria Vareseana da Música como Arte-Ciência.

Tem publicado artigos em revistas nacionais (eg: Revista Atântida, Entre as Artes e as Letras, e.a.), e realizou conferências em importantes centros europeus para o estudo da música electrónica (eg: Instituto de Sonologia, Haia, Holanda; Scuola di Musica Elletronica e Conservatorio di Musica Benedetto Marcello, Veneza, Itália; Escola das Artes , Universidade Católica do Porto, Portugal; e.a.).

Durante um período de investigação em Veneza (no Archivio Luigi Nono e no Conservatório di Musica Benedetto Marcello, simultaneamente), colaborou com Alvise Vidolin e com Nuria Schoenberg-Nono.

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